Fontes
Energia solar
- 0,019 morte por terawatt-horacontando acidentes e poluição do ar, é a estimativa para a energia solar reunida pelo Our World in Data, a menor da lista.1
- 41 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-horaé o valor do meio das emissões no ciclo de vida dos painéis em telhado, segundo o IPCC; nas usinas, 48.2
- De 13,7 a 40 metros quadrados-ano por megawatt-horaé a terra ocupada no ciclo de vida das usinas fotovoltaicas de silício no solo, no estudo da UNECE; nos telhados, o uso de terra cai muito.34
As próximas seções explicam, desde o começo, o que esses números querem dizer.
Como funciona

A energia do sol pode virar eletricidade de dois jeitos. O mais comum é o painel fotovoltaico: a luz do sol bate num material chamado semicondutor, quase sempre o silício, e gera eletricidade diretamente, sem peças girando. O outro é a usina heliotérmica, ou solar concentrada: espelhos juntam o calor do sol num ponto, esquentam água, e o vapor gira uma turbina.5
Os painéis podem ficar em grandes usinas no chão ou em telhados de casas, lojas e estacionamentos. Quando ficam no telhado do próprio consumidor, isso se chama geração distribuída.5 É como ter uma pequena usina em casa: de dia ela produz, e à noite não produz nada.5
Segurança
Para a energia solar, a estimativa é de 0,019 morte por terawatt-hora de eletricidade, contando acidentes e poluição do ar. Um terawatt-hora é um bilhão de quilowatts-hora. Na mesma base, a eólica tem 0,035, a nuclear 0,03, a hidrelétrica 1,3, o gás natural 2,821 e o carvão 24,62.1
O número vem de estudos de 2007 e 2016 (Markandya e Wilkinson; Sovacool e colegas), reunidos pelo Our World in Data. Não é um dado do Brasil e não separa os painéis em telhado das usinas.1
Emissões
O painel não queima nada para funcionar. Nos painéis de silício estudados pela UNECE, as emissões se concentram na produção dos materiais e dos equipamentos, com destaque para a produção e o refino do silício, que gasta muita eletricidade; também entram a preparação do local e os equipamentos elétricos.6
Segundo o IPCC, o painel de cientistas do clima da ONU, o valor do meio é de 41 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-hora para os painéis em telhado e de 48 para as usinas; os estudos vão de 26 a 60 no telhado e de 18 a 180 nas usinas. Para a solar concentrada, o valor do meio é 27.2 Na mesma tabela, o valor do meio é de 820 para o carvão, 490 para o gás natural, 24 para a hidrelétrica, 12 para a nuclear e 11 para a eólica em terra.2
A UNECE, a comissão econômica da ONU para a Europa, achou de 8,0 a 83 gramas para a fotovoltaica, conforme a tecnologia e a região do mundo. Os painéis de filme fino emitem bem menos que os de silício. Como quase toda a emissão está na fabricação, quanto mais sol e mais anos de uso, menor fica a emissão por quilowatt-hora.7 No caso europeu modelado pela UNECE, cerca de 40% das emissões dos painéis de silício vêm da eletricidade usada para refinar o silício.6
Espaço

As usinas solares no chão precisam de áreas sem vegetação; por isso, áreas já desmatadas podem ser escolhidas, diminuindo a degradação.5 No estudo da UNECE, a usina de painéis de silício no solo ocupa de 13,7 a 40 metros quadrados-ano por megawatt-hora no ciclo de vida, conforme a região do mundo, em 2020. Um metro quadrado-ano é um metro quadrado ocupado durante um ano. Na mesma medida, a eólica em terra fica entre 0,6 e 1,2 e a nuclear entre 0,52 e 1,02.3
Nos telhados é diferente: o painel não ocupa terra nova, e o pouco uso de terra que sobra vem indiretamente da fabricação.4
Outros impactos
- Materiais. Entre as tecnologias comparadas pela UNECE, a fotovoltaica é a que usa mais cobre por energia produzida, principalmente na instalação elétrica e no inversor; a parte eletrônica também tem pequenas quantidades de prata e ouro.8 Os painéis de filme fino usam materiais especiais, como índio, telúrio e cádmio.9
- Fim de vida. Em regiões com estrutura de reciclagem, o vidro e as partes metálicas dos painéis podem ser reciclados depois da desmontagem.10
- Água. O uso de água dos painéis vem sobretudo da fabricação das células de silício e é moderado.8
A cadeia da fonte
A cadeia começa na mineração e no refino do silício e dos metais, segue na fabricação das células, dos painéis e dos inversores (os aparelhos que transformam a corrente dos painéis na corrente da rede) e termina na instalação, na operação e na desmontagem.68 O IPCC considera 25 anos de vida para os painéis.11 As fontes usadas não dizem quanto dos painéis instalados no Brasil é fabricado aqui ou importado.
O que o Brasil faz e o que importa
O Brasil tem dois tipos de solar. As usinas (geração centralizada) somavam 23.615 megawatts em operação em outubro de 2026, segundo a ANEEL; havia ainda 1.538 megawatts em construção.12 A geração distribuída é muito maior: em outubro de 2026, a ANEEL registrava 4.665.874 sistemas solares, com 53.790 megawatts.13
A classe residencial reúne a maioria dos sistemas e pouco mais da metade da potência: 3.733.921 sistemas e 52,3% da potência; a comercial, 26,6%, e a rural, 12,4%. O sistema médio tem 11,5 quilowatts, e 81,1% da potência está em microgeração, a de até 75 quilowatts. Os créditos dessa energia beneficiam 9.035.944 unidades consumidoras.13
Onde o Brasil está
Capacidade. No fim de 2025, a capacidade solar do país chegou a 64.793 megawatts, 33,7% a mais que no ano anterior: 44.742 megawatts de geração distribuída e 20.052 de usinas.14 Em 2025, a solar foi a fonte que mais cresceu: 8,8 gigawatts em geração distribuída e 7,5 gigawatts em usinas.15
Geração. A solar produziu 88,1 terawatts-hora em 2025, 24,7% a mais que em 2024.14 Isso foi 11,4% da eletricidade gerada no país, e cerca de 60% dessa energia veio da geração distribuída.15 A geração distribuída no BEN é estimada a partir da potência cadastrada e do sol de cada lugar, e não medida.16
Fator de capacidade. Em 2025, as usinas solares acompanhadas pelo ONS geraram o equivalente a 20,5% do que gerariam funcionando com toda a potência em todas as horas do ano.17 A falta de sol à noite limita esse número, que também depende da intensidade do sol, das perdas e dos cortes de geração. O fator de capacidade mostra quanto uma usina produz de fato, comparado ao máximo possível.
Onde ficam. A melhor radiação solar do país está no Nordeste.5 No fim de 2025, as usinas estavam concentradas no Nordeste (52,1% da capacidade) e no Sudeste (46,9%).18 No cadastro de outubro de 2026, os estados com mais potência em usinas são Minas Gerais (8.767 megawatts), Bahia (3.057) e Piauí (2.404).12 Na geração distribuída, lideram São Paulo (7.569 megawatts), Paraná (6.863) e Minas Gerais (6.398).13
O papel no sistema elétrico

Muito sol ao meio-dia, nada à noite. A produção solar se concentra durante o dia, mas o consumo que as outras usinas precisam atender é maior no começo da noite. Isso cria sobra de energia nas horas de sol e obriga o sistema a ligar outras usinas rapidamente no fim da tarde.1920
Cortes de geração. Quando sobra energia, o ONS manda as usinas solares e eólicas produzirem menos. A geração distribuída dos telhados não pode ser cortada pelo ONS, porque fica fora do controle dele; por isso, os cortes recaem sobre as usinas.21 Em 2025, a energia das usinas solares que deixou de ser gerada por cortes foi de cerca de 10 terawatts-hora, ou 24,0% de tudo o que as usinas acompanhadas pelo ONS poderiam ter gerado no ano. A maior parte (60,2%) foi por sobra de energia; 25,4% foi por segurança da rede e 14,4% por limites externos às usinas.22
Regras da geração distribuída. A energia que o telhado manda para a rede compensa o consumo; o que sobra vira crédito, válido por 60 meses. A lei de 2022 criou, como regra geral, uma cobrança gradual por parte do uso da rede a partir de 2023, para quem não ficou protegido pelas regras antigas; a proteção depende da data do pedido de ligação e do cumprimento dos prazos, e algumas modalidades maiores têm regras próprias.23 A página Tarifa explica como isso aparece na conta de luz.
Baterias. Guardar a energia do meio-dia para usar à noite pode suavizar essas variações. O plano da EPE prevê 6,6 gigawatts de armazenamento em 2035.24
O futuro. No cenário de referência, o plano da EPE projeta cerca de 78 gigawatts de micro e minigeração distribuída em 2035, quase toda solar, e 107 gigawatts de solar no total. Para as usinas, a expansão indicativa é de 5,6 gigawatts; o plano diz que, com a sobra de energia nas horas de sol, novas usinas solares sem armazenamento ficam pouco vantajosas para o sistema.2419
Fontes e método
As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional e do Anuário da EPE, do Plano Decenal de Energia, de dados abertos da ANEEL e do ONS, de relatório do ONS sobre cortes de geração, da lei da geração distribuída, da página da EPE sobre fontes de energia, do IPCC, da UNECE e do Our World in Data.
- Como os números foram calculados. Geração distribuída: soma dos sistemas solares no cadastro da ANEEL de outubro de 2026, por classe, estado e porte (só essas colunas foram lidas; o cadastro tem dados pessoais, que não foram usados). Fator de capacidade e cortes: dados do ONS de 2025, como na página Eólica; o campo de geração não realizada calculado pelo ONS dá um total parecido (11,0 terawatts-hora). Usinas: cadastro da ANEEL de outubro de 2026.
- Onde os números diferem. O BEN (fim de 2025) traz 44.742 megawatts de geração distribuída solar; o cadastro da ANEEL (outubro de 2026), 53.790. A diferença é de data. O cadastro da ANEEL não diz se o sistema está num telhado ou no chão.
- O que ainda falta. Quanto dos painéis é fabricado no Brasil. Um caso internacional, opcional no modelo das páginas de fonte, não foi levantado.
Notas
- Our World in Data, mortes por terawatt-hora (Markandya e Wilkinson 2007; Sovacool et al. 2016), p. 1 (fonte 060). ↩
- IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Table A.III.2, p. 7 (fonte 058). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Figure 57, p. 88 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 44 (fonte 059). ↩
- EPE, página Fontes de energia, seção Energia solar (fonte 057). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 44 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 65 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 41 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 42 (fonte 059). ↩
- IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Table A.III.1, p. 5 (fonte 058). ↩
- ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
- ANEEL, micro e minigeração distribuída, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 065). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 15, e Tabela 8.4, p. 152 (fonte 001). ↩
- EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, nota metodológica VI.6.1, p. 215 a 217 (fonte 001). ↩
- ONS, dados abertos, fator de capacidade de geração eólica e solar, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 061). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 8.4.a, p. 153 (fonte 001). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 94 (fonte 002). ↩
- EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 2 (fonte 014). ↩
- ONS, RT DGL 0189/2025, p. 5 e 45 (fonte 010). ↩
- ONS, dados abertos, constrained-off de usinas fotovoltaicas, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 063). ↩
- Lei nº 14.300/2022, art. 1º, VI e XIV, 12, 13, 26 e 27 (fonte 027). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 63, 93 e 94, e Tabela 9-3, p. 361 (fonte 002). ↩
