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Fontes

Energia eólica

  • 0,035 morte por terawatt-horacontando acidentes e poluição do ar, é a estimativa para a energia eólica reunida pelo Our World in Data.1
  • 11 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-horaé o valor do meio das emissões no ciclo de vida da eólica em terra, segundo o IPCC.2
  • De 0,6 a 1,2 metro quadrado-ano por megawatt-horaé a terra ocupada no ciclo de vida da eólica em terra, no estudo da UNECE; no parque, ela conta só a área diretamente afetada, e não todo o espaço entre as turbinas.34

As próximas seções explicam, desde o começo, o que esses números querem dizer.

Como funciona

Aerogeradores do parque eólico de Osório, no Rio Grande do Sul
Parque eólico de Osório (RS). Foto: Paulo rsmenezes, CC BY-SA 3.0 BR, via Wikimedia Commons.

O vento é ar em movimento. A usina eólica usa esse movimento para girar hélices enormes, presas no alto de torres; as hélices giram um gerador, que produz eletricidade. Cada conjunto de torre, hélices e gerador se chama aerogerador. As hélices costumam ter o tamanho de uma asa de avião, e as torres podem chegar a 150 metros de altura. Um grupo de aerogeradores forma um parque eólico, que é a usina.5

A eólica também pode ser instalada no mar, onde é chamada de eólica offshore; ali os aerogeradores podem passar de 250 metros. É como um cata-vento gigante: o vento movimenta as pás, que acionam o gerador, e a produção depende das condições do vento.5

Segurança

Para a energia eólica, a estimativa é de 0,035 morte por terawatt-hora de eletricidade, contando acidentes e poluição do ar. Um terawatt-hora é um bilhão de quilowatts-hora. Na mesma base, a solar tem 0,019, a nuclear 0,03, a hidrelétrica 1,3, o gás natural 2,821 e o carvão 24,62.1

O número vem de estudos de 2007 e 2016 (Markandya e Wilkinson; Sovacool e colegas), reunidos pelo Our World in Data. Não é um dado do Brasil e não separa a eólica em terra da eólica no mar.1

Emissões

O parque eólico não queima nada para funcionar e não polui o ar durante a operação.5 As emissões do ciclo de vida vêm principalmente dos materiais e da implantação, como a fabricação do aço, do concreto e das pás, o transporte e a montagem, e também da manutenção durante a operação.6

Segundo o IPCC, o painel de cientistas do clima da ONU, o valor do meio é de 11 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-hora para a eólica em terra e de 12 para a eólica no mar; os estudos vão de 7,0 a 56 em terra e de 8,0 a 35 no mar. As emissões se concentram na infraestrutura e na cadeia de fornecimento.2 Na mesma tabela, o valor do meio é de 820 para o carvão, 490 para o gás natural, 48 para a solar em usinas, 24 para a hidrelétrica e 12 para a nuclear.2

A UNECE, a comissão econômica da ONU para a Europa, achou de 7,8 a 16 gramas para a eólica em terra e de 12 a 23 no mar, conforme a região do mundo. Ela explica que a torre e as fundações respondem pela maior parte dos impactos, e que o tempo de vida e o quanto a usina produz pesam muito no resultado.6

Espaço

Aerogeradores espalhados sobre morros cobertos de vegetação na Bahia
Parque eólico Alto Sertão, na Bahia: as turbinas ficam espalhadas, e a terra entre elas continua com vegetação. Foto: André Koehne, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Medir a terra ocupada por um parque eólico é complicado, porque as turbinas ficam espalhadas. Há duas formas de contar: a área total do projeto, com todo o espaço entre as turbinas, ou só a área diretamente afetada, como as bases das torres e os acessos. A UNECE usa a segunda, porque a terra entre as torres pode continuar sendo usada, por exemplo, para a agricultura.4

No ciclo de vida, que inclui também a terra usada indiretamente, como na mineração dos materiais, a eólica em terra ocupa de 0,6 a 1,2 metro quadrado-ano por megawatt-hora, conforme a região do mundo, em 2020. Um metro quadrado-ano é um metro quadrado ocupado durante um ano. Na mesma medida, a solar em usinas no solo fica entre 13,7 e 40, e a nuclear entre 0,52 e 1,02.3 Se fosse contada toda a área do projeto, o número seria muito maior, e o estudo não faz essa conta.4

Outros impactos

  • Aves e morcegos. As aves podem bater nas hélices, e por isso é preciso cuidado na escolha do local.5 Os estudos citados pela UNECE acham de 0 a 9,33 aves e de 0 a 42,7 morcegos mortos por turbina por ano, com muita variação; em um estudo de caso, pintar uma das pás de preto reduziu em cerca de 70% a mortalidade de aves.7
  • Ruído e paisagem. O barulho das turbinas pode incomodar e atrapalhar o sono, e a paisagem muda. Esses efeitos não entram na conta da UNECE.7 No Nordeste, o plano da EPE aponta interferência visual na paisagem, conflitos com comunidades locais e supressão de vegetação nativa entre os temas da expansão eólica.8
  • Materiais. A eólica usa muito aço e concreto, e o gerador usa cobre.6 Alguns geradores usam ímãs com terras raras, como neodímio e disprósio.8
  • Fim de vida. Em regiões com estrutura de reciclagem, materiais da torre, da fundação e do gerador podem ser reciclados depois da desmontagem; as pás, de fibra de vidro com plástico, são a parte mais difícil.9

A cadeia da fonte

A cadeia da eólica começa na mineração dos metais e na fabricação do aço, do concreto, das pás e do gerador. Depois vêm o transporte, a montagem do parque, a operação por cerca de 20 a 25 anos e, no fim, a desmontagem.610 No mar, os navios usados na construção respondem por cerca de 20% das emissões do ciclo de vida.6

O que o Brasil faz e o que importa

Em outubro de 2026, a ANEEL registrava 1.138 usinas eólicas em operação no Brasil, somando 34.937 megawatts. Havia ainda 61 usinas em construção, com 1.988 megawatts, e 350 com obras ainda não iniciadas, com 14.334 megawatts.11

O plano da EPE diz que cadeias locais de eólica no Nordeste podem gerar empregos qualificados e reduzir desigualdades regionais.12 As fontes usadas não dizem quanto dos equipamentos é fabricado no Brasil e quanto é importado.

Onde o Brasil está

Capacidade. Em 2025, a capacidade eólica do país era de 34.689 megawatts, num total de 215.939 megawatts, sem contar a geração distribuída.13 Em 2025 a capacidade eólica cresceu 5,2 gigawatts.14

Geração. As eólicas produziram 116,5 terawatts-hora em 2025, 8,2% a mais que em 2024, e responderam por 15,0% da eletricidade gerada no país.1314 No balanço do ONS, que mede as usinas da rede nacional operadas por ele, a eólica foi 16,5% da geração em 2025.15

Fator de capacidade. Em 2025, as eólicas acompanhadas pelo ONS produziram, em média, 38,2% do que produziriam se ventasse forte o ano inteiro. O vento muda com as estações: o fator foi de 23,0% em janeiro e de 48,9% em setembro.16 O fator de capacidade mostra quanto uma usina produz de fato, comparado ao máximo possível.

Onde ficam. Os ventos são fortes no Sul e, principalmente, no Nordeste.5 O Nordeste tem 93,2% da capacidade eólica do país.13 Os estados com mais potência em operação são a Bahia (11.832 megawatts), o Rio Grande do Norte (10.726) e o Piauí (4.396).11

Como mudou. Das usinas que operam hoje, as que já funcionavam no fim de 2010 somavam 931 megawatts; no fim de 2015, 7.628; no fim de 2020, 17.129; e no fim de 2025, 34.752.11

Potência eólica em operação acumulada por ano de entrada, 2005 a 2025
Potência eólica em operação, pelo ano em que começou a operar. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).
Potência eólica em operação por estado
Potência eólica por estado, outubro de 2026. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).
Fator de capacidade das eólicas em cada mês de 2025
Fator de capacidade mensal das eólicas em 2025. Fonte: ONS, dados abertos (fonte 061).

O papel no sistema elétrico

Depende do vento. A eólica só produz quando há vento suficiente.5 No Brasil, venta mais no segundo semestre, justamente quando chove menos nas bacias das hidrelétricas. Por isso a eólica ajuda a compensar a época seca das hidrelétricas.17

Cortes de geração. Às vezes o ONS manda as usinas produzirem menos do que poderiam. Isso acontece quando as linhas de transmissão não dão conta de levar a energia, quando é preciso garantir a segurança da rede, ou quando há mais energia do que consumo naquele momento.1819 Em 2025, a energia eólica que deixou de ser gerada por esses cortes foi de cerca de 25 terawatts-hora, ou 18,3% de tudo o que as usinas acompanhadas pelo ONS poderiam ter gerado no ano. Cerca de metade dos cortes (51,2%) foi por sobra de energia, 35,4% por segurança da rede e 13,4% por limites externos às usinas.20 Na análise de 2023 e 2024, o ONS identificou picos de cortes na safra dos ventos, de julho a setembro.18

Compensação pelos cortes. Uma lei de 2025 deu às usinas eólicas e solares com outorga, ligadas à rede nacional, direito a uma compensação pelos cortes por limites externos e por segurança da rede, de setembro de 2023 até a entrada em vigor da regra. Para isso, a usina assina um termo com o governo e desiste de eventual ação na Justiça sobre o tema. Os cortes por sobra de energia não entram.21

Eólica no mar. Uma lei de 2025 criou as regras para usar áreas do mar para gerar energia, por autorização ou por concessão com licitação.22 O plano da EPE considerou a eólica no mar, mas o modelo não a escolheu para a expansão até 2035, por ainda não ser vantajosa economicamente.23

O futuro. O plano da EPE prevê 14,5 gigawatts de novas eólicas até 2035, no Nordeste: 887 megawatts já contratados e 13,6 gigawatts indicativos, que ainda dependem de contratação.23

Parte da energia eólica cortada em cada mês de 2025
Energia eólica cortada em 2025, em porcentagem de tudo o que as usinas poderiam ter gerado no mês. Fonte: ONS, dados abertos (fonte 062).

Fontes e método

As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional e do Anuário da EPE, do Plano Decenal de Energia, de dados abertos da ANEEL e do ONS, de relatório do ONS sobre cortes de geração, de leis, da página da EPE sobre fontes de energia, do IPCC, da UNECE e do Our World in Data.

  • Como os números foram calculados. Fator de capacidade: soma da geração verificada dividida pela soma da capacidade instalada, hora a hora, nas usinas eólicas que o ONS acompanha, em 2025. Cortes: soma, nos períodos com restrição, da diferença entre a geração de referência (o que a usina poderia gerar) e a verificada, dividida pela geração de referência de todo o ano; o campo de geração não realizada calculado pelo ONS dá um total parecido (26,2 terawatts-hora). Usinas: cadastro da ANEEL em outubro de 2026.
  • Onde os números diferem. O BEN informa 116,5 terawatts-hora realizados em 2025; a tabela de projeções do plano da EPE traz 122,4 terawatts-hora de eólica centralizada para o mesmo ano (Tabela 12-3, p. 466). As fontes não explicam a diferença; esta página usa o BEN. A capacidade do cadastro da ANEEL (outubro de 2026) é maior que a do BEN (fim de 2025).
  • O que ainda falta. Quanto dos equipamentos é fabricado no Brasil. Um caso internacional, opcional no modelo das páginas de fonte, não foi levantado.

Notas

  1. Our World in Data, mortes por terawatt-hora (Markandya e Wilkinson 2007; Sovacool et al. 2016), p. 1 (fonte 060). ↩
  2. IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Table A.III.2, p. 7 (fonte 058). ↩
  3. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Figure 57, p. 88 (fonte 059). ↩
  4. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 36 (fonte 059). ↩
  5. EPE, página Fontes de energia, seção Energia eólica (fonte 057). ↩
  6. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17, 36 e 37 (fonte 059). ↩
  7. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 37 (fonte 059). ↩
  8. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 403 e 458 (fonte 002). ↩
  9. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Box 3, p. 42 (fonte 059). ↩
  10. IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Table A.III.1, p. 5 (fonte 058). ↩
  11. ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
  12. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 431 (fonte 002). ↩
  13. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 15, Tabela 8.4, p. 152, e Tabela 8.4.a, p. 153 (fonte 001). ↩
  14. EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). ↩
  15. ONS, dados abertos, balanço de energia nos subsistemas, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 009). ↩
  16. ONS, dados abertos, fator de capacidade de geração eólica e solar, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 061). ↩
  17. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 99 e 100 (fonte 002). ↩
  18. ONS, RT DGL 0189/2025, p. 5, 12 e 13 (fonte 010). ↩
  19. ONS, dicionário de dados de constrained-off de usinas eólicas, p. 4 (fonte 062). ↩
  20. ONS, dados abertos, constrained-off de usinas eólicas, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 062). ↩
  21. Lei nº 10.848/2004, art. 1º-B, caput e § 1º, incluído pela Lei nº 15.269/2025 (fonte 005). ↩
  22. Lei nº 15.097/2025, art. 1º, 2º e 5º (fonte 064). ↩
  23. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 159 e 403 (fonte 002). ↩