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Fontes

Carvão mineral

  • 24,62 mortes por terawatt-horacontando acidentes e poluição do ar, é a estimativa para o carvão reunida pelo Our World in Data, a maior entre as fontes da lista, depois do carvão marrom.1
  • 820 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-horaé o valor do meio das emissões no ciclo de vida das usinas a carvão pulverizado, segundo o IPCC; a UNECE acha mais.23
  • De 10,3 a 26,6 metros quadrados-ano por megawatt-horaé a terra ocupada no ciclo de vida de uma usina a carvão pulverizado sem captura de carbono, no estudo da UNECE, sobretudo pelas minas.45

As próximas seções explicam, desde o começo, o que esses números querem dizer.

Como funciona

Usina termelétrica de Candiota com torre de resfriamento e chaminés
Complexo termelétrico de Candiota (RS). Foto: Ryan Garcia, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.

O carvão mineral é um combustível fóssil, formado há mais de 200 milhões de anos em lugares onde havia florestas e pântanos.6 Na maioria das usinas, o carvão é moído até virar pó e queimado numa caldeira; o vapor gira uma turbina, que aciona o gerador.7 É como uma panela de pressão gigante: o fogo do carvão ferve a água, e o vapor faz a turbina girar.

Segurança

Para o carvão, a estimativa é de 24,62 mortes por terawatt-hora de eletricidade, contando acidentes e poluição do ar; para o carvão marrom, 32,72. Um terawatt-hora é um bilhão de quilowatts-hora. Na mesma base, a solar tem 0,019, a eólica 0,035, a nuclear 0,03, a hidrelétrica 1,3, o gás natural 2,821, a biomassa 4,63 e o óleo 18,43.1 O número vem de estudos de 2007 e 2016 reunidos pelo Our World in Data e não é um dado do Brasil.1

Emissões

O carvão é a fonte com mais emissões de gases de efeito estufa por quilowatt-hora entre as avaliadas pela UNECE, a comissão econômica da ONU para a Europa: de 751 a 1.095 gramas de gás carbônico equivalente, conforme a tecnologia e a região do mundo.3 Nos sistemas modelados, a operação da usina domina as emissões; a cadeia do combustível, da mina à usina, responde por 10% a 15%.8

O IPCC, o painel de cientistas do clima da ONU, traz de 740 a 910 gramas de gás carbônico equivalente, com valor do meio de 820, para o carvão pulverizado.2 A UNECE diz que esses valores parecem vir de usinas mais eficientes que a média, e cita um estudo, usina por usina, que achou média mundial de 1,13 quilo de gás carbônico equivalente por quilowatt-hora.9 Na mesma tabela do IPCC, o valor do meio é de 490 para o gás natural em ciclo combinado, 230 para a biomassa em usinas dedicadas, 24 para a hidrelétrica, 12 para a nuclear e 11 para a eólica em terra.2

Capturar e guardar o gás carbônico no subsolo poderia cortar cerca de 60% das emissões por quilowatt-hora, gastando mais carvão.3 O plano da EPE diz que o custo dessa captura deixa as térmicas que a adotam pouco competitivas nos próximos dez anos.10

Espaço

O carvão ocupa terra principalmente nas minas, a céu aberto ou subterrâneas.5 No estudo da UNECE, a usina a carvão pulverizado sem captura de carbono ocupa de 10,3 a 26,6 metros quadrados-ano por megawatt-hora no ciclo de vida, conforme a região do mundo, em 2020. Um metro quadrado-ano é um metro quadrado ocupado durante um ano. Na mesma medida, o gás natural em ciclo combinado ocupa de 0,7 a 5,8, e a nuclear de 0,52 a 1,02.4

Outros impactos

  • Ar. A queima do carvão solta partículas, enxofre e outros poluentes; as usinas modeladas pela UNECE têm filtros que removem a maior parte deles.7
  • Mineração. A extração tem de ser feita com cuidado para a chuva não levar resíduos para os rios, e exige atenção à saúde dos trabalhadores.6

A cadeia da fonte

A cadeia vai da mina à usina: extração do carvão, transporte e queima.6 Em 2025, o Brasil produziu 6,8 milhões de toneladas de carvão vapor, o tipo usado nas usinas, e importou 5,2 milhões; 7,3 milhões de toneladas foram usadas para gerar eletricidade.11 O carvão usado na geração é, em sua maior parte, nacional.12 No Brasil, o carvão mineral fica principalmente na região Sul.6

O que o Brasil faz e o que importa

Em outubro de 2026, a ANEEL registrava 12 usinas a carvão mineral em operação, somando 3.048 megawatts, e nenhuma em construção.13 As maiores são Porto do Pecém I (720,3 megawatts) e Porto do Pecém II (360,0), no Ceará, Porto do Itaqui (360,1), no Maranhão, e Candiota III (350,0) e Pampa Sul (345,0), no Rio Grande do Sul.13

Maiores usinas a carvão em operação
Usinas a carvão mineral em operação. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).

Onde o Brasil está

Capacidade. Em 2025, as usinas a carvão somavam 3.086 megawatts, num total de 215.939 megawatts no país, sem contar a geração distribuída. Em 2016, eram 3.389.14

Geração. O carvão gerou 11.184 gigawatts-hora em 2025, 1,4% da eletricidade do país.1415 Em 2016, tinham sido 17.001.14

Fator de capacidade. Nas usinas a carvão acompanhadas pelo ONS, a geração de 2025 equivaleu a cerca de 40% do que gerariam funcionando com toda a potência o ano inteiro.16

Onde ficam. Por estado, lideram o Ceará (1.080 megawatts), Santa Catarina (745), o Rio Grande do Sul (695) e o Maranhão (435).13

O papel no sistema elétrico

Por que geram. Em 2025, nas usinas a carvão, 33,5% da energia foi classificada pelo ONS como inflexibilidade fora da ordem de custo (geração que a usina declara que precisa fazer, ou que passa do que o ONS pediu), 13,1% como inflexibilidade que também seria escolhida pelo custo e 25,6% como geração escolhida só pelo custo. Outros 15,6% foram para exportação a países vizinhos.1718

O subsídio do carvão nacional. A CDE, um fundo pago nas contas de luz, cobre o combustível de usinas a carvão mineral nacional que se enquadram nas regras da lei, até 2027.19

A transição em Santa Catarina. Uma lei de 2022 criou o Programa de Transição Energética Justa para a região carbonífera de Santa Catarina. Ela prevê contratar a energia do Complexo Jorge Lacerda como energia de reserva e preparar a região para o provável fim, até 2040, da geração a carvão sem captura de carbono.20 Depois que esse contrato começar, o complexo deixa de receber o reembolso da CDE pelo carvão.20 O plano da EPE mantém o Complexo Jorge Lacerda em operação até 2035 e não prevê novas usinas a carvão.21

Geração mensal das usinas a carvão em 2025
Geração das usinas a carvão em cada mês de 2025. Fonte: ONS (fonte 066).
Motivos de despacho das usinas a carvão em 2025
Por que as usinas a carvão geraram em 2025, segundo a classificação do ONS (fonte 067).

Fontes e método

As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional e do Anuário da EPE, do Plano Decenal de Energia, de dados abertos da ANEEL e do ONS, de leis, da página da EPE sobre fontes de energia, do IPCC, da UNECE e do Our World in Data.

  • Como os números foram calculados. Fator de capacidade: geração das usinas a carvão medida pelo ONS em 2025 dividida pela potência no cadastro do ONS de 2026 multiplicada pelas 8.760 horas do ano; é aproximado. Motivos de geração: registros de 2025 do ONS das usinas ligadas ao combustível carvão pelo nome.
  • Onde os números diferem. O BEN diz que a demanda de carvão para gerar eletricidade caiu 3,0% em 2025, mas suas tabelas mostram aumento; esta página usa os números das tabelas.
  • O que ainda falta. Um caso internacional, opcional no modelo das páginas de fonte, não foi levantado.

Notas

  1. Our World in Data, mortes por terawatt-hora (Markandya e Wilkinson 2007; Sovacool et al. 2016), p. 1 (fonte 060). ↩
  2. IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Table A.III.2, p. 7 (fonte 058). ↩
  3. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17 e seção 3.1, p. 26 (fonte 059). ↩
  4. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Figure 57, p. 88 (fonte 059). ↩
  5. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 4.5, p. 64 (fonte 059). ↩
  6. EPE, página Fontes de energia, seção Fontes Fósseis (fonte 057). ↩
  7. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 3.1.1 e Table 4, p. 27 (fonte 059). ↩
  8. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 3.1.3, p. 28, e seção 4.1.1, p. 59 (fonte 059). ↩
  9. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Box 1, p. 31 (fonte 059). ↩
  10. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 87 e 90 (fonte 002). ↩
  11. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 2.4, p. 43 (fonte 001). ↩
  12. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 16 (fonte 001). ↩
  13. ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
  14. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107, e Tabela I.2, p. 178 (fonte 001). ↩
  15. EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). ↩
  16. ONS, dados abertos, geração por usina (2025) e capacidade instalada, cálculo sobre os dados (fontes 066 e 009). ↩
  17. ONS, dados abertos, geração térmica por motivo de despacho, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 067). ↩
  18. ONS, dicionário de dados da geração térmica por motivo de despacho, p. 2 a 6 (fonte 067). ↩
  19. Lei nº 10.438/2002, art. 13, V, §§ 4º, 4º-A e 7º (fonte 048). ↩
  20. Lei nº 14.299/2022, art. 4º e 6º (fonte 069). ↩
  21. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 93 e 96 (fonte 002). ↩