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Fontes

Óleo e diesel

  • 18,43 mortes por terawatt-horacontando acidentes e poluição do ar, é a estimativa para o óleo reunida pelo Our World in Data.1
  • 0,67 tonelada de gás carbônico por megawatt-horaé a emissão média estimada para 2025 da geração nos Sistemas Isolados da Amazônia, onde cerca de 70% da energia vem do diesel; na rede nacional, a média é de 0,04.2
  • Espaço: sem número comparável.Os estudos de ciclo de vida usados nas outras páginas (IPCC e UNECE) não avaliam usinas a óleo ou a diesel.34

As próximas seções explicam, desde o começo, o que esses números querem dizer.

Como funciona

O óleo combustível e o óleo diesel são derivados do petróleo, um combustível fóssil. Nas usinas, eles são queimados em motores ou caldeiras, e a energia do combustível vira eletricidade.5 Funciona como um gerador a diesel de uma loja ou de um hospital, só que muito maior.

Essas usinas atendem lugares da Amazônia que não estão ligados à rede nacional, os Sistemas Isolados, e também podem gerar na rede nacional quando é preciso, por exemplo por segurança da rede.26 Boa parte também pertence a empresas que geram a própria energia.7

Segurança

Para o óleo, a estimativa é de 18,43 mortes por terawatt-hora de eletricidade, contando acidentes e poluição do ar. Um terawatt-hora é um bilhão de quilowatts-hora. Na mesma base, a solar tem 0,019, a eólica 0,035, a nuclear 0,03, a hidrelétrica 1,3, o gás natural 2,821, a biomassa 4,63 e o carvão 24,62.1 O número vem de estudos de 2007 e 2016 reunidos pelo Our World in Data, não separa diesel de óleo combustível e não é um dado do Brasil.1

Emissões

Queimar petróleo e seus derivados solta gás carbônico e outros poluentes.5 A UNECE, a comissão econômica da ONU para a Europa, diz que o óleo é a fonte de eletricidade que mais emite por quilowatt-hora no mundo, à frente do carvão, mas não calcula um número para ele.4

No Brasil, o melhor retrato vem dos Sistemas Isolados. Para 2025, com dados até agosto e projeção até dezembro, a geração neles emitiu em média 0,67 tonelada de gás carbônico por megawatt-hora, contra 0,04 na rede nacional, por causa do diesel e, em menor parte, do gás natural. Ao todo, os Sistemas Isolados emitiram 2,50 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2025, contra 3,28 milhões em 2018.2

Espaço

Os estudos de ciclo de vida usados nas outras páginas não avaliam o óleo nem o diesel, e as fontes usadas não trazem um número de terra ocupada por megawatt-hora para essas usinas.34

Outros impactos

Tanques de combustível de uma usina termelétrica
Tanques de combustível da usina termelétrica Gera Maranhão. Foto: Arthur Victor, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.
  • Vazamentos. Ao longo da cadeia do petróleo pode haver vazamentos de óleo na extração e no transporte por dutos, caminhões ou embarcações.5
  • Logística na Amazônia. As regras do leilão de 2025 para os Sistemas Isolados exigem um plano de abastecimento de combustível que considere contingências, especialmente eventos climáticos.8

A cadeia da fonte

A cadeia começa na extração do petróleo, que no Brasil se concentra no litoral do Sudeste, inclusive no pré-sal, e segue pela produção dos derivados e pelo transporte até as usinas.5

O que o Brasil faz e o que importa

Em outubro de 2026, a ANEEL registrava 2.124 usinas a óleo e diesel em operação, somando 7.119 megawatts. A maior parte delas é pequena: 2.076 usinas a diesel somam 3.819 megawatts, enquanto 34 usinas a óleo combustível somam 2.793.9 Por estado, lideram São Paulo (1.112 megawatts em 643 usinas), Pernambuco (1.064) e Amazonas (854, em 121 usinas). A maior é Suape II, em Pernambuco, com 381,3 megawatts.9

Cerca de 59% da eletricidade gerada a diesel em 2025 veio de autoprodutores, empresas que geram a própria energia.7

Maiores usinas a óleo e diesel em operação
Maiores usinas a óleo e diesel em operação. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).
Potência a óleo e diesel por estado
Potência a óleo e diesel por estado, outubro de 2026. Fonte: ANEEL, SIGA (fonte 008).

Onde o Brasil está

Capacidade. Em 2025, as usinas a diesel somavam 3.839 megawatts e as a óleo combustível, 2.795, num total de 215.939 megawatts no país, sem contar a geração distribuída. Em 2016, eram 4.825 e 4.020.10

Geração. Em 2025, o diesel gerou 5.436 gigawatts-hora e o óleo combustível, 1.220; juntos, 0,9% da eletricidade do país.1011 Na crise de falta de chuva de 2021, o óleo combustível chegou a gerar 9.453 gigawatts-hora.12

Na rede nacional. As usinas a óleo e diesel acompanhadas pelo ONS geraram só 0,22 terawatt-hora em 2025, cerca de 1% do que gerariam funcionando com toda a potência o ano inteiro.13 No grupo de 31 usinas a óleo e diesel identificado no arquivo de motivos de geração, 61,7% da energia foi classificada como razão elétrica, isto é, por necessidade de segurança da rede.614

O papel no sistema elétrico

Os Sistemas Isolados. Em 2025, o planejamento considerava 160 Sistemas Isolados, com 1,965 milhão de pessoas, em seis estados da região Norte e em Fernando de Noronha; em 2018 eram 270, com 3,25 milhões de pessoas. A participação do diesel na geração deles foi estimada em cerca de 70% em 2025. Em setembro de 2025, Boa Vista, a última capital fora da rede nacional, foi ligada a ela; outras 16 interligações estão previstas até 2030.2

Quem paga. A CCC, uma conta paga pelos consumidores do país,2 reembolsa a diferença entre o custo de geração nesses lugares e um valor de referência do mercado regulado da rede nacional.15 A página Sistemas Isolados explica isso em detalhe.

Trocar o diesel. O Programa Energias da Amazônia, de 2023, quer reduzir a geração por combustíveis fósseis nos Sistemas Isolados da Amazônia Legal, com mais fontes renováveis, armazenamento e interligações.16 O leilão para os Sistemas Isolados de 2025 exige que pelo menos 22% da energia de cada projeto venha de fontes renováveis, salvo nos projetos a gás natural, e leva em conta as emissões evitadas, com um preço de referência de 150 reais por tonelada de gás carbônico equivalente.8

O futuro. O plano da EPE prevê converter usinas a diesel e a óleo combustível para biocombustíveis, num total de 1,3 gigawatt até 2035, e calcula que as emissões dos Sistemas Isolados caiam 44% no período, sobretudo pela ligação de Boa Vista.1718

Fontes e método

As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional e do Anuário da EPE, do Plano Decenal de Energia, do planejamento dos Sistemas Isolados (PASI), de dados abertos da ANEEL e do ONS, de leis e normas sobre os Sistemas Isolados, da página da EPE sobre fontes de energia, da UNECE e do Our World in Data.

  • Como os números foram calculados. Usinas: cadastro da ANEEL de outubro de 2026, somando diesel, óleo combustível e outros energéticos de petróleo. Rede nacional: geração por usina e capacidade do ONS em 2025 (52 usinas), e motivos de despacho de 31 usinas ligadas a esses combustíveis pelo nome; as duas contas têm coberturas diferentes.
  • Limites. Não há, nas fontes usadas, emissão por quilowatt-hora nem terra ocupada específicas das usinas a óleo e diesel; o número de emissões da abertura é a média de todos os Sistemas Isolados, que também usam gás natural e outras fontes.
  • O que ainda falta. Um caso internacional, opcional no modelo das páginas de fonte, não foi levantado.

Notas

  1. Our World in Data, mortes por terawatt-hora (Markandya e Wilkinson 2007; Sovacool et al. 2016), p. 1 (fonte 060). ↩
  2. EPE, Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados (PASI), ciclo 2025, p. 7, 11, 12, 17, 18, 20 e 21 (fonte 007). ↩
  3. IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Tables A.III.1 e A.III.2, p. 4, 5 e 7 (fonte 058). ↩
  4. UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17 e seção 3.1, p. 26 (fonte 059). ↩
  5. EPE, página Fontes de energia, seção Fontes Fósseis (fonte 057). ↩
  6. ONS, dados abertos, geração térmica por motivo de despacho, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 067). ↩
  7. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabelas 5.3 e 5.5, p. 107 e 109 (fonte 001). ↩
  8. MME, Portaria Normativa nº 92/2024, art. 5º e 8º, p. 2 a 4 (fonte 022). ↩
  9. ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
  10. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107, e Tabela I.2, p. 178 (fonte 001). ↩
  11. EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). ↩
  12. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107 (fonte 001). ↩
  13. ONS, dados abertos, geração por usina (2025) e capacidade instalada, cálculo sobre os dados (fontes 066 e 009). ↩
  14. ONS, dicionário de dados da geração térmica por motivo de despacho, p. 3 (fonte 067). ↩
  15. Lei nº 12.111/2009, art. 3º (fonte 020). ↩
  16. Decreto nº 11.648/2023, art. 1º, 3º e 5º (fonte 021). ↩
  17. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 95 e 96 (fonte 002). ↩
  18. EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 395 (fonte 002). ↩