O sistema
O Sistema Interligado Nacional (SIN)
- Mais de 181 mil quilômetrosde linhas de transmissão na parte principal da rede, em 2025.1
- 261 gigawattsde capacidade para produzir eletricidade no Brasil, em 2025, contando os painéis solares em telhados.2
- 108.131 megawattsfoi o consumo máximo do sistema num único instante, verificado em fevereiro de 2025.3
As próximas seções explicam, desde o começo, o que cada um desses números significa.
O que é o SIN

Toda a eletricidade que chega à sua tomada foi produzida em algum lugar, numa usina, e viajou até você por fios. Usina é qualquer instalação que produz eletricidade: uma hidrelétrica, que usa a força da água dos rios; um parque eólico, que usa o vento; uma usina solar, que usa a luz do sol; ou uma termelétrica, que queima um combustível, como gás ou bagaço de cana, para gerar calor e, com ele, eletricidade.
Muitas usinas ficam longe das casas (a exceção são os painéis solares em telhados, que produzem energia perto de onde ela é usada). Por isso, o Brasil tem uma grande rede de fios de alta tensão, as linhas de transmissão, que levam a energia por longas distâncias. Dá para comparar essas linhas com estradas: a eletricidade viaja por elas das usinas até as cidades, onde as distribuidoras, as empresas de energia de cada região, entregam a energia nas casas, no comércio e nas fábricas.
Quando essas estradas de energia se ligam umas às outras e formam uma rede só, que cobre a maior parte do país, o conjunto recebe o nome de Sistema Interligado Nacional, ou SIN. As localidades que não estão ligadas a essa rede têm outro nome: a lei as chama de Sistemas Isolados, que são os sistemas de distribuição que, no funcionamento normal, não estão conectados ao SIN, por razões técnicas ou econômicas.4 O custo do combustível usado para produzir energia nesses sistemas é dividido entre todas as distribuidoras do país.5 Os Sistemas Isolados têm uma página própria neste site.
Uma rede desse tamanho precisa de alguém que a coordene. Por lei, quem coordena e controla a operação das usinas e das linhas do sistema interligado é o Operador Nacional do Sistema Elétrico, o ONS.6
Como o SIN funciona
Quem faz o quê
O ONS é uma entidade privada e sem fins lucrativos. Ele funciona com autorização do poder concedente, isto é, do governo federal, e é fiscalizado e regulado pela ANEEL, a agência que regula o setor elétrico. Fazem parte do ONS as empresas que têm concessão ou autorização para atuar no setor e os grandes consumidores que compram energia diretamente e estão ligados à rede básica.6
Outras instituições também participam:
- o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) decide as medidas de segurança quando há risco de faltar energia;7
- o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) planejam o futuro do sistema, com estudos que o ONS ajuda a abastecer;8
- ONS, CCEE (a Câmara de Comercialização de Energia, que cuida das contas de compra e venda de energia) e EPE fazem juntos as previsões de quanto o país vai consumir;9
- em casos previstos em lei de corte de produção de usinas eólicas e solares, o ONS calcula quanta energia deixou de ser produzida e a CCEE calcula quanto essas usinas devem receber de compensação.10
Como o ONS escolhe quais usinas vão produzir
A energia elétrica precisa ser produzida no mesmo instante em que é consumida. Por isso, a produção e o consumo têm de ficar sempre equilibrados, e esse equilíbrio é uma regra básica da operação do SIN.11 É parecido com o trânsito de uma cidade grande, que precisa de alguém olhando o tempo todo: o ONS acompanha a rede sem parar.
Para decidir quem produz, o ONS segue uma ordem. Primeiro entra a energia que não pode ser desligada naquele momento. O que ainda falta para atender ao consumo é coberto pelas hidrelétricas e termelétricas que o ONS pode controlar, começando pelas mais baratas. No setor, esse método se chama despacho por ordem de mérito.12 Nos estudos do ONS para 2029, só cerca de 27% do consumo do SIN deve ser atendido por esse despacho por ordem de mérito; o restante vem de energia que entra sem poder ser desligada.12
Quatro regiões que trocam energia
Para organizar a operação, o SIN é dividido em quatro grandes regiões, que o setor chama de subsistemas: Norte, Nordeste, Sudeste/Centro-Oeste e Sul.13
As regiões não consomem a mesma quantidade de energia. Em 2025, o Sudeste/Centro-Oeste consumiu, em média, cerca de três vezes mais que o Sul ou o Nordeste.14
Como estão ligadas, as regiões se ajudam. A energia vai de onde sobra para onde falta, como água correndo por canos entre caixas d'água de bairros diferentes. Em 2025, na média do ano, o Norte e o Nordeste enviaram energia para o Sudeste, e o Sudeste enviou energia para o Sul.15
Para entender o tamanho dessas trocas, é preciso conhecer duas unidades:
- megawatt (MW) mede a potência, ou seja, quanta energia passa ou é produzida a cada instante;
- gigawatt (GW) é a mesma coisa em tamanho maior: 1 GW é igual a 1.000 MW.
Em 2025, o envio médio do Norte para o Sudeste foi de 4.223 megawatts, e o do Nordeste para o Sudeste, de 4.210 megawatts. Na hora de maior envio do ano, do Norte para o Sudeste passaram, em média, 10.500 megawatts.15
Os fios entre as regiões têm limite, como uma estrada tem um número de faixas. O ONS acompanha, por exemplo, o limite de quanto o Nordeste consegue enviar para fora.16 Nos estudos do ONS para 2026 a 2029, as ligações entre o Norte, o Nordeste e o Sudeste dão conta do horário de maior consumo, à noite: nesse período quase não aparecem cortes de produção por falta de linha.17 Novas linhas devem aumentar esse limite: o Nordeste poderá enviar até 21 GW a partir de 2030, ou cerca de 24 GW se uma nova linha, o Bipolo Nordeste II, for construída.18
O SIN também tem ligação com outros países. Com o Uruguai, há duas ligações. A ligação com a Venezuela, que atendia Roraima, está desligada desde março de 2019.19
O que fica fora do SIN
Roraima se ligou ao SIN em 2025 (a capital, Boa Vista, foi a última do país a se ligar20), por uma linha de 396 quilômetros entre Roraima e o Amazonas.21 Mesmo ligado, o estado ainda precisa produzir cerca de 45% da própria energia, por segurança: se a linha tiver problema, as usinas locais garantem o abastecimento.22
A EPE estuda ligar ao SIN localidades isoladas no Amazonas, no Pará e no Acre.23 No planejamento de 2025, a EPE contou 160 localidades isoladas; o mesmo planejamento registra 15 localidades ligadas ao SIN (três delas no segundo semestre de 2024) e prevê outras 16 até 2030.24 Elas pesam pouco no total: a carga de energia prevista dos Sistemas Isolados para 2026 equivale a 0,32% da carga do SIN.25
O tamanho do SIN

Linhas. Em 2025, a parte principal da rede, chamada rede básica (as linhas de tensão mais alta, que ligam as usinas às regiões), tinha 181.782 quilômetros, contra 176.199 quilômetros em 2024. Só em 2025 entraram em funcionamento 5,6 mil quilômetros de linhas novas, um aumento de 3,2%.1 No cadastro de linhas do ONS, com dados de 2026, a maior parte da extensão está em linhas de 230 mil ou 500 mil volts.26
Capacidade de produzir energia. Capacidade instalada é quanto todas as usinas juntas conseguiriam produzir se funcionassem ao mesmo tempo, no máximo. Em 2025, o Brasil tinha 261 GW de capacidade, contando os painéis solares instalados em telhados e terrenos de casas e empresas.2 Em 1974 eram 18.133 MW; em 2025, 215.939 MW sem contar esses painéis.27
Consumo máximo. Em fevereiro de 2025, o consumo máximo verificado no sistema num único instante foi de 108.131 MW.3 O ONS projeta que esse pico chegue a cerca de 125 GW em 2029.3
Capacidade de transformação das subestações: [sem fonte por enquanto].
Onde cada fonte de energia entra



Em 2025, a capacidade de produzir energia no Brasil estava dividida assim: hidrelétricas 42,2%, solar 24,8%, termelétricas 18,9%, eólica 13,3% e nuclear 0,8%.2
Capacidade, porém, não é o mesmo que produção. Uma usina solar só produz de dia, e um parque eólico só produz quando venta. Por isso, a energia de fato produzida em 2025 teve outra divisão: as hidrelétricas responderam por 51,7%, a eólica por 15,0%, a solar por 11,4%, a biomassa por 8,5%, o gás natural por 7,6%, a nuclear por 2,0%, o carvão por 1,4% e os derivados de petróleo por 0,9%; outras fontes somaram 1,5%. As fontes renováveis, que não se esgotam, como água, vento, sol e biomassa, somaram 86,8%.29 Cada fonte tem uma página própria neste site.
Sol e vento mudam o dia do sistema. Em 2016, o sol e o vento produziam 5,7% da energia do país; em 2025, 26,4%.30 Nas horas de sol forte, o sistema precisa de pouca energia das outras usinas. No fim da tarde, quando o sol se põe e o consumo sobe, as hidrelétricas e termelétricas precisam aumentar a produção muito depressa.30 Ao longo de um único dia, a diferença entre o mínimo e o máximo produzido pelas hidrelétricas já chegou a 44,1 GW, até abril de 2025.31
Cortes de produção. Às vezes o ONS manda usinas eólicas e solares produzirem menos, ou pararem. Isso se chama corte de geração (em inglês, curtailment) e tem três motivos: um problema numa linha fora da usina; o risco de sobrecarregar as linhas; ou simplesmente sobra de energia, quando há mais produção do que consumo.32 Em 2024, só os cortes por sobra de energia nas usinas eólicas e solares de grande porte somaram 4.330 gigawatts-hora: é a quantidade de energia que essas usinas deixaram de produzir no ano por esse motivo.33 Nos estudos do ONS para 2029, cerca de 96% dos cortes previstos aparecem como cortes por sobra de energia, e não por falta de linhas.34 Um dos motivos é o crescimento dos painéis em telhados: em um dia útil de 2029, às 13h, eles e as pequenas usinas ligadas às distribuidoras devem atender quase 44% do consumo do SIN.35 As hidrelétricas precisam manter uma produção mínima para a segurança do sistema; por isso, quando sobra energia, o corte recai sobre as eólicas e as solares.36
Estabilidade da rede. Algumas usinas prestam serviços que mantêm a rede estável, como ajudar a manter o ritmo da corrente elétrica (a frequência) e religar o sistema depois de um apagão. Esses serviços são pagos por meio de um encargo cobrado no setor.37 Controle de tensão no SIN: [sem fonte por enquanto].
O que está mudando
O que já foi feito em 2025. Entraram em funcionamento 5,6 mil quilômetros de linhas, Roraima foi ligado ao SIN e o país ganhou 24,6 GW de capacidade: 8,8 GW de painéis em telhados e terrenos, 7,5 GW de usinas solares, 5,2 GW de parques eólicos, 2,8 GW de termelétricas e 0,3 GW de hidrelétricas.38
O que está planejado. O plano de expansão da EPE para 2026 a 2035 prevê cerca de 29 mil quilômetros de linhas novas.39 Entre as obras está o Bipolo Nordeste I, uma linha de corrente contínua capaz de levar 5 GW do Maranhão a Goiás.40 As obras contratadas nos leilões de 2023 e 2024 devem ficar prontas até 2030.41 Em 2025, um novo leilão contratou cerca de 1,1 mil quilômetros de linhas, com investimento previsto de mais de R$ 5,5 bilhões.42
O ONS projeta que a capacidade das usinas ligadas ao SIN passe de cerca de 232 GW, em dezembro de 2024, para 268 GW no fim de 2029.43 O ONS também recomenda leilões todos os anos para contratar usinas capazes de entrar em funcionamento rapidamente nos horários de maior consumo, porque há risco de faltar potência a partir de 2026.44
Plano de obras do ONS para 2026 a 2030: [sem fonte por enquanto].
Fontes e método
As informações desta página vêm de documentos públicos de órgãos oficiais. Cada número traz uma nota com a fonte e a página.
- Por que os números de capacidade e de linhas variam. O Anuário da EPE (261 GW) conta todo o país, incluindo os painéis em telhados. O Balanço Energético Nacional (215.939 MW) conta o país sem esses painéis. O ONS, no seu plano de operação, conta cerca de 232 GW no SIN em dezembro de 2024, com os painéis. O cadastro de usinas do ONS, com dados de 2026, soma 200.681 MW, sem os painéis e incluindo a metade paraguaia de Itaipu. A ANEEL registra, também em 2026, 220.686 MW em usinas em funcionamento no país todo, sem os painéis. Nas linhas, a rede básica tinha 181.782 km em 2025, segundo a EPE; o cadastro de linhas do ONS, com dados de 2026, soma 196.103 km. Os dois totais diferem na data e no que cada um inclui: o cadastro do ONS conta também uma rede complementar e registra 186.619 km só na rede básica.28
- O que ainda falta. Dois documentos ainda não foram obtidos: um relatório técnico do ONS sobre controle de tensão (RT 0131/2023) e o plano de obras do ONS (PAR/PEL 2025). Os trechos marcados [sem fonte por enquanto] dependem deles.
- O que foi descartado. Um "relatório de intercâmbios" do ONS, citado numa lista preliminar, não foi encontrado com esse título; os dados de trocas entre regiões vieram da base de dados abertos do ONS.
Notas
- EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 2 (fonte 014). ↩
- EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). Confere com o BEN 2026: 215.939 MW sem micro e minigeração distribuída mais 45.040 MW de micro e minigeração p. 14 e 153 (fonte 001). ↩
- ONS, Plano da Operação Energética (PEN) 2025, p. 10 (fonte 003). ↩
- Decreto nº 7.246/2010, art. 2º, III, com redação do Decreto nº 11.629/2023 (fonte 015). ↩
- Lei nº 10.848/2004, art. 7º (fonte 005). ↩
- Lei nº 9.648/1998, art. 13 (fonte 004). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 37 (fonte 003). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 6 (fonte 003). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 9 (fonte 003). ↩
- Lei nº 10.848/2004, art. 1º-B, §§ 3º e 4º (fonte 005). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 15 (fonte 010); ONS, PEN 2025, p. 18 (fonte 003). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 14 (fonte 003). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, p. 126, 128 e 165 (fonte 002). ↩
- ONS, dados abertos, Balanço de Energia nos Subsistemas 2025: carga média de 44.226 MW no Sudeste/Centro-Oeste, 13.804 MW no Sul e 13.267 MW no Nordeste (fonte 009, cálculo sobre os dados). ↩
- ONS, dados abertos, Intercâmbios Entre Subsistemas 2025, médias e máximos horários (fonte 006, cálculo sobre os dados). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 23 (fonte 010). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 37 (fonte 010). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 123 (fonte 002). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 153 (fonte 002). ↩
- EPE, Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados, ciclo 2025, p. 17 (fonte 007). ↩
- EPE, Anuário 2026, p. 2 (fonte 014). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 142 (fonte 002). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 123 (fonte 002). ↩
- EPE, Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados, ciclo 2025, p. 11 e 12 (fonte 007). ↩
- EPE, Planejamento do Atendimento aos Sistemas Isolados, ciclo 2025, p. 12 (fonte 007). ↩
- ONS, dados abertos, Linhas de Transmissão da Rede de Operação: 70.777 km em 230 kV e 70.266 km em 500 kV (fonte 013, cálculo sobre os dados). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 175 e 178 (fonte 001). ↩
- EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, p. 1 e 2; EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 14; ONS, PEN 2025, p. 11; ONS, dados abertos de capacidade instalada e de linhas de transmissão; ANEEL, SIGA (fontes 014, 001, 003, 009, 013 e 008). ↩
- EPE, Anuário 2026, p. 1 (fonte 014). ↩
- EPE, Anuário 2026, p. 2 (fonte 014). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 2 (fonte 003). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 12 (fonte 010). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 15 e 21 (fonte 010). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 38 e 39 (fonte 010). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 41 (fonte 010). ↩
- ONS, RT DGL-ONS 0189/2025, p. 30 (fonte 010). ↩
- Lei nº 10.848/2004, art. 1º, § 10 (fonte 005). ↩
- EPE, Anuário 2026, p. 1 e 2 (fonte 014). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 165 (fonte 002). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 128 (fonte 002). ↩
- EPE, PDE 2035, p. 123 e 126 (fonte 002). ↩
- EPE, Anuário 2026, p. 2 (fonte 014). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 11 (fonte 003). ↩
- ONS, PEN 2025, p. 37 e 40 (fonte 003). ↩
