O sistema
Quem opera o sistema elétrico
- 7 instituiçõessão apresentadas nesta página: MME, CNPE, CMSE, ANEEL, EPE, ONS e CCEE.
- 5 diretorescom mandatos de 5 anos comandam a ANEEL, a agência que regula o setor.1
- 50 megawattsde capacidade instalada é o tamanho a partir do qual o dono de uma usina é obrigado a participar da CCEE, a câmara onde se fazem as contas da compra e venda de energia.2
As próximas seções explicam, desde o começo, quem faz o quê.
Como o trabalho é dividido

Para a energia chegar à sua casa, muita gente precisa trabalhar de forma combinada. Alguém precisa decidir os rumos do país, alguém precisa criar as regras e conferir se estão sendo cumpridas, alguém precisa planejar as usinas e linhas do futuro, alguém precisa operar a rede todos os dias e alguém precisa fazer as contas de quem vendeu e de quem comprou energia.
No Brasil, essas tarefas são repartidas entre instituições cujas funções estão previstas em leis e decretos. É como um time de futebol em que cada jogador tem uma posição: o técnico define a estratégia, o juiz aplica as regras, e os jogadores cuidam de partes diferentes do campo.
Cada instituição e o seu papel
MME: o Ministério de Minas e Energia
O MME faz parte do governo federal.3 É ele que formula a política nacional de energia elétrica, dá as diretrizes para o planejamento do setor e para as tarifas, aprova as concessões e autorizações e deve cuidar para que a oferta de energia acompanhe o consumo do país.3
CNPE: o Conselho Nacional de Política Energética
O CNPE é um conselho ligado à Presidência da República e presidido pelo ministro de Minas e Energia.4 Ele propõe ao presidente as políticas de energia do país, revê de tempos em tempos a matriz energética, define diretrizes para programas de cada fonte, como solar, eólica, hidráulica, biomassa, nuclear, carvão e gás natural, e estabelece parâmetros técnicos e econômicos de certas licitações de concessões de geração, transmissão e distribuição.4 Também propõe os critérios que dizem quanta segurança de fornecimento o país deve ter.5
CMSE: o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico
O CMSE funciona dentro do MME e é presidido pelo ministro.6 Sua tarefa é acompanhar, o tempo todo, se o fornecimento de energia está garantido em todo o país. Quando vê um risco, propõe medidas e, se for o caso, leva o assunto ao CNPE.6 Participam dele, além do ministro, quatro representantes do MME e os titulares, isto é, os dirigentes máximos, da ANEEL, da ANP (a agência do petróleo e do gás), da CCEE, da EPE e do ONS.7 Quem participa não recebe pagamento por isso.8
ANEEL: a Agência Nacional de Energia Elétrica
A ANEEL é uma autarquia, um órgão público com autonomia, ligada ao MME e com sede no Distrito Federal.9 Ela regula e fiscaliza a produção, a transmissão, a distribuição, o armazenamento e a venda de energia elétrica.9 É a ANEEL que autoriza os reajustes e as revisões das tarifas.10 Quando suas decisões podem afetar os direitos de empresas ou de consumidores, a lei prevê que a ANEEL faça antes uma audiência pública.11
A ANEEL é comandada por cinco diretores, um deles diretor-geral, escolhidos pelo presidente da República e aprovados pelo Senado. Os mandatos são de cinco anos, não começam todos ao mesmo tempo e não podem ser renovados.1 Depois de sair, um ex-diretor fica 12 meses sem poder trabalhar para as empresas que a agência fiscaliza.12
EPE: a Empresa de Pesquisa Energética
A EPE é uma empresa pública ligada ao MME, com sede em Brasília e escritório central no Rio de Janeiro.13 Ela faz os estudos e as pesquisas que servem de base para o planejamento do setor de energia: calcula a matriz energética, publica o Balanço Energético Nacional e prepara os estudos dos planos de expansão de usinas e linhas de transmissão.14
ONS: o Operador Nacional do Sistema Elétrico
O ONS é uma entidade privada e sem fins lucrativos.15 Ele coordena e controla a operação das usinas e das linhas da rede nacional, o SIN, e planeja a operação dos sistemas isolados. É o ONS que decide, de forma centralizada, quais usinas vão produzir. Ele também propõe as ampliações da rede.16 Fazem parte do ONS as empresas que têm concessão ou autorização no setor e os grandes consumidores ligados à rede básica.17 O ONS é regulado e fiscalizado pela ANEEL, que aprova as regras de operação da rede e faz auditorias nos sistemas e nos modelos do operador.16
CCEE: a Câmara de Comercialização de Energia
A CCEE também é uma entidade privada e sem fins lucrativos, regulada e fiscalizada pela ANEEL; desde 2026, seu nome oficial é Câmara de Comercialização de Energia.18 Ela existe para viabilizar a compra e a venda de energia na rede nacional: registra os contratos, recebe as medições de quanto cada um produziu e consumiu e faz as contas e os pagamentos do mercado de curto prazo, onde se acertam as diferenças entre o contratado e o realizado.19 São obrigados a participar, entre outros, os donos de usinas a partir de 50 megawatts, quem importa ou exporta a partir de 50 megawatts, as distribuidoras e comercializadoras que venderam a partir de 500 gigawatts-hora no ano anterior e os consumidores livres e especiais, que compram energia diretamente; os consumidores menores podem participar por meio de um representante.2 A ANEEL pode passar para a CCEE a tarefa de realizar os leilões de energia.20
Como elas se relacionam
As instituições trabalham ligadas umas às outras. O ONS tem acordos obrigatórios com a CCEE, para combinar a parte técnica com a parte das contas, e com a EPE, para fornecer os dados de que o planejamento precisa.21 A CCEE troca informações com a ANEEL e com a EPE.22
Um exemplo: em certos casos de corte de produção de usinas eólicas e solares, ocorridos a partir de setembro de 2023 e previstos em lei, o ONS calcula quanta energia deixou de ser produzida e a CCEE calcula a compensação, desde que a usina assine um termo de compromisso com o governo.23
Onde as fontes de energia entram
Cada fonte tem regras próprias, mas a direção geral vem do CNPE, que define as diretrizes dos programas de cada uma: solar, eólica, hidráulica, biomassa, nuclear, carvão e gás natural.4
O que está mudando
As regras do setor mudam por novas leis. Nos últimos anos, uma lei criou um encargo para pagar os serviços que mantêm a rede estável (2016); outra mudou as regras para as distribuidoras comprarem energia de algumas fontes, com um valor de referência calculado pela EPE e aprovado pelo MME (2021); e outra tratou da energia que sobra para as distribuidoras por causa da geração distribuída, a energia produzida pelos próprios consumidores (2022).24
Fontes e método
As informações desta página vêm das leis e decretos que criaram cada instituição, publicados no site da Presidência da República. Cada afirmação traz uma nota com a norma e o artigo.
- O que ainda falta. A portaria do MME sobre a abertura do mercado livre (2022) ainda não foi obtida; o tema fica de fora até lá.
Notas
- Lei nº 9.427/1996, art. 4º e 5º (fonte 031). ↩
- Decreto nº 5.177/2004, art. 4º, § 1º, § 2º e § 2º-A (fonte 036). ↩
- Lei nº 14.600/2023, art. 17 e 37 (fonte 037). ↩
- Lei nº 9.478/1997, art. 2º (fonte 032). ↩
- Lei nº 10.848/2004, art. 1º, § 7º (fonte 005). ↩
- Decreto nº 5.175/2004, art. 1º a 3º (fonte 035). ↩
- Decreto nº 5.175/2004, art. 2º (fonte 035). ↩
- Decreto nº 5.175/2004, art. 7º (fonte 035). ↩
- Lei nº 9.427/1996, art. 1º e 2º (fonte 031). ↩
- Lei nº 9.427/1996, art. 15 (fonte 031). ↩
- Lei nº 9.427/1996, art. 4º, § 3º (fonte 031). ↩
- Lei nº 9.427/1996, art. 9º (fonte 031). ↩
- Lei nº 10.847/2004, art. 1º e 2º (fonte 033). ↩
- Lei nº 10.847/2004, art. 2º e 4º (fonte 033). ↩
- Decreto nº 5.081/2004, art. 1º (fonte 034). ↩
- Decreto nº 5.081/2004, art. 1º, 3º e 9º (fonte 034). ↩
- Decreto nº 5.081/2004, art. 4º (fonte 034). ↩
- Decreto nº 5.177/2004, art. 1º e 1º-A, este com a redação do Decreto nº 13.097/2026 (fonte 036). ↩
- Decreto nº 5.177/2004, art. 2º, II a VI, e § 1º (fonte 036). ↩
- Decreto nº 5.177/2004, art. 2º (fonte 036). ↩
- Decreto nº 5.081/2004, art. 3º, § 1º (fonte 034). ↩
- Decreto nº 5.177/2004, art. 2º, § 1º (fonte 036). ↩
- Lei nº 10.848/2004, art. 1º-B, caput e §§ 1º, 3º e 4º (fonte 005). ↩
- Lei nº 10.848/2004, art. 1º, 2º-B e 2º-D, com as alterações das Leis nº 13.360/2016, 14.182/2021 e 14.300/2022 (fonte 005). ↩
