Mundo Energia Brasil

O sistema

Matriz elétrica

  • 86,8%da eletricidade produzida no Brasil em 2025 veio de fontes renováveis.1
  • 51,7%veio das usinas hidrelétricas, a maior fonte do país.1
  • 261 gigawattsera a capacidade de todas as usinas juntas em 2025.1

As próximas seções explicam, desde o começo, o que esses números querem dizer.

O que é a matriz elétrica

Usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu
Usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu (PA). Foto: Fernanda Brandt, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

Para entender a matriz elétrica, vale começar por uma ideia maior: a matriz energética. A matriz energética é o conjunto de todas as fontes de energia que um país usa, para mover os carros, cozinhar no fogão e também gerar eletricidade. A matriz elétrica é só uma parte disso: o conjunto de fontes usadas para produzir energia elétrica.2

Dizer como é a matriz elétrica do Brasil é dizer de onde vem a eletricidade que chega às tomadas: quanto vem da água, do vento, do sol, da queima de combustíveis e assim por diante. O ONS, que opera a rede nacional, descreve o sistema brasileiro como hidro-termo-eólico, ou seja, baseado em água, calor e vento, com predominância das hidrelétricas.3

Como se mede

Há duas medidas diferentes, e é importante não confundir.

  • A capacidade instalada é a potência máxima de todas as usinas juntas, ou seja, quanto elas conseguiriam produzir ao mesmo tempo. Ela é medida em gigawatts (GW).
  • A geração diz quanta energia as usinas produziram de fato num período; nesta página, o período é sempre um ano. Ela é medida em gigawatts-hora (GWh) ou em terawatts-hora (1 TWh = 1.000 GWh).

As duas não andam juntas porque nem toda usina funciona o tempo todo. Uma usina solar só produz de dia, por exemplo. Em 2025, a energia solar tinha 24,8% da capacidade instalada do país, mas respondeu por 11,4% da geração.1

Existe ainda uma terceira medida, a oferta interna, que soma a eletricidade produzida no país com a que vem de fora. Quase toda a eletricidade importada pelo Brasil vem da usina de Itaipu, que o Brasil divide com o Paraguai.4

Os números

Geração em 2025. O Brasil produziu 775.896 gigawatts-hora de eletricidade em 2025.5 A divisão por fonte foi esta: hidrelétricas 51,7%; eólica 15,0%; solar 11,4%; biomassa 8,5%; gás natural 7,6%; nuclear 2,0%; carvão 1,4%; derivados de petróleo 0,9%; outras fontes 1,5%.1

Capacidade em 2025. Dos 261 gigawatts de capacidade, as hidrelétricas tinham 42,2%; a solar, 24,8%; as termelétricas, 18,9%; a eólica, 13,3%; e a nuclear, 0,8%.1

Dez anos de mudança. Entre 2014 e 2024, a parte da eletricidade vinda de fontes renováveis subiu de 72,6% para 88,0%. Só o vento e o sol, juntos, passaram de 2,1% para 23,7% da energia produzida.6

O retrato do ONS. Somando as usinas que considera na rede nacional e a micro e minigeração distribuída (a energia produzida por consumidores, como os painéis solares em telhados), o ONS registrava 260.991 megawatts de capacidade em outubro de 2026 (1 gigawatt = 1.000 megawatts). Nessa conta, ele deixa de fora as termelétricas sem contrato ou sem custo de operação válido. As hidrelétricas somavam 107.330 megawatts (41,1%); a micro e minigeração distribuída, 55.543 megawatts (21,3%); a eólica, 34.764 megawatts (13,3%); as usinas solares, 21.607 megawatts (8,3%); o gás natural, 18.895 megawatts (7,2%); e a biomassa, 15.456 megawatts (5,9%).7

Energia produzida no Brasil em 2024, por fonte, em TWh
Energia produzida por fonte em 2024 (último ano com a série completa do Anuário). Fonte: EPE, Anuário 2025, Tabela 2.3 (fonte 014).
Parte da energia vinda do vento e do sol, 2014 a 2024
Parte da eletricidade vinda do vento e do sol, de 2014 a 2024. Fonte: EPE, Anuário 2025, Tabela 2.3, cálculo (fonte 014).
Capacidade instalada por fonte em 2014 e 2024
Capacidade instalada por fonte, 2014 e 2024. Fonte: EPE, Anuário 2025, Tabela 2.2 (fonte 014).

Onde cada fonte entra

Painéis solares instalados sobre um telhado
Painéis solares no telhado de uma estação de trem em São Paulo, exemplo de geração distribuída. Foto: Geogast, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons.

Água e calor trabalham juntos. As termelétricas, que queimam combustível para gerar energia, costumam ficar perto dos grandes centros de consumo. O ONS as liga conforme a quantidade de chuva, para economizar a água guardada nos reservatórios das hidrelétricas.3

O vento cresceu. As usinas eólicas tiveram um crescimento forte nos últimos anos, principalmente no Nordeste e no Sul.3

Energia produzida em casa. Muitas casas e empresas instalaram painéis solares e produzem a própria energia. É a chamada geração distribuída. Como regra geral, a lei divide essas instalações em microgeração, de até 75 quilowatts, e minigeração, acima disso, até 5 megawatts para fontes que podem ser controladas ou até 3 megawatts para as que não podem (há exceções para instalações mais antigas). A energia que sobra vai para a rede da distribuidora e é descontada do consumo; o que não for descontado no mês vira crédito, que vale por 60 meses.8 Em 2025, a geração distribuída produziu 53.144 gigawatts-hora de energia solar.9 Do total de 64,8 gigawatts de energia solar no país, 44,7 gigawatts eram dessa geração distribuída e 20,1 gigawatts eram de usinas solares.1

A energia que vem de fora. A importação vem quase toda de Itaipu, usina com 14.000 megawatts de capacidade.4

Comparação com o mundo. Em 2025, as fontes renováveis responderam por cerca de 86,6% da eletricidade do Brasil, segundo a base internacional Our World in Data; na média do mundo, foram cerca de 33,8%.10

O que está mudando

O que entrou em 2025. O país ganhou 24,6 gigawatts de capacidade em 2025: 8,8 gigawatts de geração solar distribuída, 7,5 gigawatts de usinas solares, 5,2 gigawatts de eólicas, 2,8 gigawatts de termelétricas e 0,3 gigawatt de hidrelétricas.1

O que vem pela frente. O ONS projeta 293.236 megawatts de capacidade na rede nacional em dezembro de 2030. A micro e minigeração distribuída deve chegar a 73.733 megawatts (25,1%), e o gás natural a 26.615 megawatts.7

As regras. A Lei 14.300, de 2022, criou o marco legal da geração distribuída e o sistema de créditos que a faz funcionar.8

Fontes e método

As informações desta página vêm de documentos públicos de órgãos oficiais e de uma base internacional. Cada número traz uma nota com a fonte e a página.

  • Por que os números variam. O Anuário da EPE mede a geração do país todo: renováveis com 86,8% em 2025. O Balanço Energético Nacional mede a oferta interna, que inclui a importação: renováveis com 86,6% e água com 52,2%. O ONS conta as usinas que considera na rede nacional, mais a micro e minigeração distribuída.11 Por isso a mesma pergunta pode ter respostas um pouco diferentes.
  • O que ainda falta. Números da importação de países vizinhos além de Itaipu: [sem fonte por enquanto].

Notas

  1. EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). ↩
  2. EPE, página "Matriz energética e elétrica" (ABCdEnergia), p. 1 (fonte 030). ↩
  3. ONS, página "O que é o SIN", p. 1 (fonte 016). ↩
  4. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 12 e 177 (fonte 001). ↩
  5. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 107 (fonte 001). ↩
  6. EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2025, workbook, Tabela 2.3, cálculo sobre os dados (fonte 014). ↩
  7. ONS, página "O Sistema em Números", dados do PMO de outubro de 2026, p. 1 (fonte 017). ↩
  8. Lei nº 14.300/2022, ementa e art. 1º e 13 (fonte 027). ↩
  9. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 111 (fonte 001). ↩
  10. Our World in Data, participação das renováveis na geração de eletricidade, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 029). ↩
  11. EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 12 (fonte 001); EPE, Anuário 2026, p. 1 (fonte 014); ONS, "O Sistema em Números", p. 1 (fonte 017). ↩