Fontes
Gás natural
- 2,821 mortes por terawatt-horacontando acidentes e poluição do ar, é a estimativa para o gás natural reunida pelo Our World in Data.1
- 490 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-horaé o valor do meio das emissões no ciclo de vida das usinas a gás de ciclo combinado, segundo o IPCC.2
- De 0,7 a 5,8 metros quadrados-ano por megawatt-horaé a terra ocupada no ciclo de vida de uma usina a gás de ciclo combinado, no estudo da UNECE.3
As próximas seções explicam, desde o começo, o que esses números querem dizer.
Como funciona

O gás natural é um combustível fóssil: formou-se há milhões de anos a partir de restos de plantas e animais enterrados, e fica preso em rochas no fundo da terra ou do mar.4 Na usina, o gás é queimado, e a energia do combustível vira eletricidade.4
Segundo o relatório da UNECE de 2022, a principal tecnologia é a de ciclo combinado. O gás queima numa turbina, que gira um gerador. O calor que sai dessa turbina, em vez de ir embora, aquece água; o vapor gira uma segunda turbina. Assim, a usina aproveita melhor o combustível. Há também usinas só com a turbina a gás, usadas nos momentos de pico.5
Segurança
Para o gás natural, a estimativa é de 2,821 mortes por terawatt-hora de eletricidade, contando acidentes e poluição do ar. Um terawatt-hora é um bilhão de quilowatts-hora. Na mesma base, a solar tem 0,019, a eólica 0,035, a nuclear 0,03, a hidrelétrica 1,3, a biomassa 4,63, o óleo 18,43 e o carvão 24,62.1
O número vem de estudos de 2007 e 2016 (Markandya e Wilkinson; Sovacool e colegas), reunidos pelo Our World in Data. Não é um dado do Brasil.1
Emissões
A usina a gás emite gás carbônico ao queimar o combustível, e é aí que está a maior parte das suas emissões.26 Segundo o IPCC, o valor do meio é de 490 gramas de gás carbônico equivalente por quilowatt-hora, e os estudos vão de 410 a 650. Só a queima responde, no valor do meio, por 370 gramas.2
A UNECE, a comissão econômica da ONU para a Europa, achou de 403 a 513 gramas, conforme a região do mundo. Isso é menos da metade da eletricidade a carvão.6 Na mesma comparação do IPCC, o valor do meio é de 820 para o carvão, 48 para a solar em usinas, 24 para a hidrelétrica, 12 para a nuclear e 11 para a eólica em terra.27
O metano. O metano, que esquenta o planeta muito mais que o gás carbônico, também entra na conta: parte do gás escapa na extração e no transporte por gasodutos. A UNECE diz que esses vazamentos costumam ser subestimados pela indústria e que, se forem grandes, a eletricidade a gás pode emitir tanto quanto a de carvão.8
Espaço
O gás é tirado do subsolo, e as usinas não ocupam muito espaço.9 No estudo da UNECE, uma usina a gás de ciclo combinado ocupa de 0,7 a 5,8 metros quadrados-ano por megawatt-hora no ciclo de vida, conforme a região do mundo, em 2020. Um metro quadrado-ano é um metro quadrado ocupado durante um ano. Na mesma medida, o carvão ocupa de 10,3 a 26,6, e a nuclear de 0,52 a 1,02.3
Outros impactos
- Ar. A queima do gás praticamente não solta partículas de fuligem, ao contrário do carvão.10
- Água. No estudo da UNECE, o ciclo de vida da eletricidade a gás dissipa, em média, cerca de 1 litro de água por quilowatt-hora, contra 2,4 na nuclear; isso inclui, por exemplo, a água que evapora no resfriamento.11
- Trabalhadores. A extração de petróleo, gás e carvão exige atenção à saúde de quem trabalha.4 Os vazamentos de gás na extração e nos gasodutos aparecem na seção sobre o metano.8
A cadeia da fonte
A cadeia começa na extração do gás, em terra ou no mar, segue pelo tratamento e pelo transporte em gasodutos ou em navios, como gás liquefeito (GNL), e termina na usina.412 No Brasil, a Lei do Gás exige autorização da ANP, a agência do petróleo e do gás, para o transporte por gasodutos, a importação, a estocagem subterrânea, o processamento e os terminais de gás liquefeito.12
O pré-sal responde por cerca de 77% da produção brasileira de gás.13 O país tem 8 terminais de gás liquefeito, que recebem gás importado por navio e o devolvem ao estado gasoso.13
O que o Brasil faz e o que importa
Em 2025, o Brasil produziu em média 179,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia e importou 19,1 milhões por dia.14 A dependência de gás de fora foi de 19%.15 Do gás consumido no país, 36,8% foi usado para gerar eletricidade.14 Pelo gasoduto Brasil-Bolívia, o plano da EPE considera que a importação boliviana vai diminuir.16
Em outubro de 2026, a ANEEL registrava 182 usinas a gás natural em operação, somando 20.180 megawatts, e 9 em construção, com 2.825 megawatts.17
Onde o Brasil está
Capacidade. Em 2025, as usinas a gás natural somavam 19.340 megawatts, num total de 215.939 megawatts no país, sem contar a geração distribuída.18
Geração. Elas produziram 58.645 gigawatts-hora em 2025, contra 47.792 em 2024.18 Isso foi 7,6% da eletricidade gerada no país.19
Fator de capacidade. Nas usinas a gás acompanhadas pelo ONS, a geração de 2025 equivaleu a cerca de 28% do que gerariam funcionando com toda a potência o ano inteiro.20 Esse número mostra uma utilização média bem abaixo do máximo, mas não diz, sozinho, os motivos.
Onde ficam. O Rio de Janeiro tem a maior potência entre os estados: 8.599 megawatts, cerca de 42,6% do total, em 40 usinas. Depois vêm Maranhão (1.881), Sergipe (1.602) e Amazonas (1.547). A maior usina é a GNA II, no Rio de Janeiro, com 1.672,6 megawatts.17
O papel no sistema elétrico
A reserva das hidrelétricas. O ONS liga as térmicas conforme a situação das chuvas, para poupar a água dos reservatórios e garantir a energia do futuro.21 Em 2025, a geração das usinas a gás foi de 2.260 gigawatts-hora em janeiro, na época das chuvas, e chegou a 5.310 em novembro, depois da seca.20
Por que as usinas a gás geram. O ONS registra o motivo de cada geração térmica. Uma das razões é a inflexibilidade: a geração que a usina declara que precisa fazer, ou a que passa do que o ONS pediu. Em 2025, nas usinas a gás identificadas, 38,4% da energia foi classificada como inflexibilidade fora da ordem de custo, 18,4% como inflexibilidade que também seria escolhida pelo custo e 29,7% como geração escolhida só pelo custo, quando a usina era mais barata que as alternativas. O resto foi para exportação, restrições de rampa e de tempo mínimo ligada ou desligada, e outras razões.2223
Garantia de potência. Com mais energia solar e eólica, que variam, o plano da EPE vê as térmicas a gás flexíveis, que ligam e desligam rápido, como as principais candidatas para garantir potência: 11,7 gigawatts indicativos até 2035.24 Uma lei de 2021 obrigava a contratar térmicas a gás com inflexibilidade de pelo menos 70%; essa obrigação foi revogada em 2025.25
Emissões do sistema. Para o Sistema Interligado Nacional, a rede nacional, o plano estima emissões de 13 milhões de toneladas de gás carbônico equivalente em 2025 e 29 milhões em 2035, numa condição média de chuvas, ainda considerando as térmicas obrigatórias que depois foram revogadas.26
Fontes e método
As informações desta página vêm do Balanço Energético Nacional e do Anuário da EPE, do Plano Decenal de Energia, de dados abertos da ANEEL e do ONS, da Lei do Gás, da página da EPE sobre fontes de energia, do IPCC, da UNECE e do Our World in Data.
- Como os números foram calculados. Fator de capacidade: geração das usinas a gás medida pelo ONS em 2025 dividida pela potência dessas usinas no cadastro do ONS de 2026 multiplicada pelas 8.760 horas do ano; é aproximado, porque não considera as usinas que entraram ou saíram durante 2025. Motivos de geração: soma dos registros de 2025 do ONS das usinas cujo nome foi ligado ao combustível gás (77 das 154 usinas do arquivo). Usinas: cadastro da ANEEL de outubro de 2026.
- Onde os números diferem. O BEN diz que a geração a gás cresceu 13,7% em 2025, mas suas tabelas mostram 47.792 e 58.645 gigawatts-hora; esta página usa os números das tabelas.
- O que ainda falta. Um caso internacional, opcional no modelo das páginas de fonte, não foi levantado.
Notas
- Our World in Data, mortes por terawatt-hora (Markandya e Wilkinson 2007; Sovacool et al. 2016), p. 1 (fonte 060). ↩
- IPCC, AR5, Grupo III, Anexo III, Table A.III.2, p. 7 (fonte 058). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Figure 57, p. 88 (fonte 059). ↩
- EPE, página Fontes de energia, seção Fontes Fósseis (fonte 057). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 3.2.1, p. 31, e seção 3.2.2, p. 33 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 17 e seção 3.2, p. 31 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, Table 13, p. 85 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 3.2.1, p. 31 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 4.5, p. 64 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, p. 68 (fonte 059). ↩
- UNECE, Integrated Life Cycle Assessment 2022, seção 4.6, p. 65 (fonte 059). ↩
- Lei nº 14.134/2021, art. 3º, 4º, 19, 20, 26 e 27 (fonte 068). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 176 e 251 (fonte 002). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, p. 16 (fonte 001). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 1.8, p. 28 (fonte 001). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 247 (fonte 002). ↩
- ANEEL, SIGA, dados abertos, cálculo sobre os dados de outubro de 2026 (fonte 008). ↩
- EPE, Balanço Energético Nacional 2026, Tabela 5.3, p. 107, e Tabela I.2, p. 178 (fonte 001). ↩
- EPE, Anuário Estatístico de Energia Elétrica 2026, sumário executivo, p. 1 (fonte 014). ↩
- ONS, dados abertos, geração por usina (2025) e capacidade instalada, cálculo sobre os dados (fontes 066 e 009). ↩
- ONS, página O que é o SIN (fonte 016). ↩
- ONS, dados abertos, geração térmica por motivo de despacho, 2025, cálculo sobre os dados (fonte 067). ↩
- ONS, dicionário de dados da geração térmica por motivo de despacho, p. 2 a 6 (fonte 067). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 95 e 268 (fonte 002). ↩
- Lei nº 14.182/2021, art. 20, revogado pela Lei nº 15.269/2025 (fonte 043). ↩
- EPE, Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, p. 394 (fonte 002). ↩
